Revista Lapa Legal Rio

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A Revista que resgata a Lapa como cultura e lazer.

terça-feira, 14 de junho de 2011

BANDA LION HEART PREPARA NOVO CD AGUARDEM!!!

Thiê Rock vocalista da Banda
A banda carioca Lion Heart é formada por Thiê Rock(vocal), Brandon (guitarra), Stanley (baixo) e Allan Argolo (bateria). São oito anos de estrada e dois álbuns lançados: “Coração de Leão” em 2005 e “Viver Pra Detonar” em 2009. O som rocker da Lion tem influência de bandas clássicas como Kiss, AC/DC, Van Halen e Mötley Crüe. As letras são em Português e abordam principalmente experiências vividas durante as turnês.
Já foram destaques em importantes meios de comunicação, como os jornais “O Globo”, “A Gazeta”, “Extra” e a Revista Bizz, além de matérias com a MTV e com a TVE Brasil.
Shows por várias cidades do Brasil como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Vila Velha, Vitória, Juiz de Fora e Campinas fazem parte do currículo da banda, que é fiel às raízes do hard rock e construiu uma base sólida de fãs ao longo da carreira. Próximo CD está sendo gravado.




http://www.myspace.com/bandalionheart
E-mail: bandalionheart@gmail.com

quinta-feira, 5 de maio de 2011

TERESA CRISTINA & MARISA MONTE beijo sem

Eu não sou mais quem você deixou....vou à LAPA, DECOTADA, BEBO TODAS...BEIJO BEM...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Biografias de Mulheres da escritora e jornalista Ana Arruda Callado vira Documentário

ANA ARRUDA CALLADO

Escritora Ana Arruda Callado,jornalista e produtora do documentário Jô A. Ramos e o fotógrafo Carlos Leitão.


A idéia de realizar um documentário tendo como base as Mulheres biógrafadas pela escritora e jornalista Ana Arruda Callado, partiu de uma conversa minha com a Ana no lançamento do livro Lygia, a recordista, no Lamas - Rio de Janeiro, em 2009. De lá prá cá muitas conversas, muitas negociações, entradas e saídas de parceiros..enfim, agora vai.
Jô A. Ramos


Nascida em 1937, na cidade de Recife, Ana Arruda Callado veio para o Rio de Janeiro aos oito anos de idade. Formada em Jornalismo na Faculdade Nacional de Filosofia, Ana começou a trabalhar como repórter no Jornal do Brasil em 1958, quando ganhou o prêmio Herbert Moses por uma série de reportagens sobre a reforma agrária. E, no ano seguinte, recebeu a Menção Honrosa do Prêmio Esso, após escrever matérias especiais sobre a infância abandonada. Foi casada durante 20 anos com o escritor Antonio Callado.


Biografias de mulheres

Em seu livro autobiográfico, Memórias de uma menina católica, publicado no Brasil pela Companhia das Letras em 1987, a escritora norte-americana Mary McCarthy diz uma coisa que muito me impressionou e que de certo modo orientou meus trabalhos posteriores de pesquisa para livros.

"Lembro-me da vez em que ouvimos cantar um rouxinol, no boulevar, perto do convento de Sacré-Coeur. Mas não há rouxinóis na América do Norte."
Tanto me impressionou que utilizei o trecho como epígrafe do segundo perfil biográfico que escrevi, Jenny, amazona, valquíria e vitória-régia, publicado em 1996. É que há muito desconfiava da memória como guardiã de fatos verdadeiros. E, no decorrer da pesquisa sobre Jenny, tudo ficou ainda mais claro para mim. Ou mais complicado, porque, se a memória não guarda a verdade, como acreditar nos depoimentos? Qual das versões que ouvimos ou lemos vamos utilizar nos livros?

Uma experiência que fiz então em família só me deu mais certeza de que a memória é mesmo bem 'mentirosa'. Mas há os documentos, dirá alguém. Sim, alguns deles muito úteis. E os que não sabemos por quê foram preservados em detrimento de outros, com que intenções foram redigidos? Enfim, também não são tão confiáveis. Voltemos a Jenny.

Jenny Pimentel Borba nasceu na cidade paulista de Serra Negra, uma encantadora estância hidromineral, cujo nome estava na minha memória pessoal ligado a meus pais, que teriam o hábito de lá descansar de vez em quando. Passei uns dias em Serra Negra, procurando traços de Jenny - havia pouquíssimos - e hospedada em um certo Rádio Hotel. Antonio Callado me acompanhou nesta viagem e quando, na portaria do hotel, indaguei, quase que para mim mesma, "será que Painho e Mainha se hospedavam aqui?", ele sorriu e me disse: "Ana, você não veio aqui em busca de Jenny; veio em busca de seus pais". Mais uma desconfiança que se tornava certeza: todo escritor só escreve sobre si mesmo. Na volta ao Rio, procurei três de minhas irmãs - tenho uma porção de irmãs - e perguntei a cada uma delas, separadamente, se, de fato, nossos pais costumavam passar dias em Serra Negra. Recebi três respostas bem diferentes. Uma, a mais velha das três, afirmou que eles nunca tinham ido a Serra Negra; só iam a Cambuquira, nas férias que tiravam da criançada. A segunda confirmou o que eu lembrava: iam, sim, quase todo ano, e só os dois. "Mainha adorava", acrescentou. A terceira garantiu que, não só eles iam a Serra Negra, como em uma das vezes a tinham levado.

É claro que, àquela altura, já sabia que a memória é uma construção social e não um tesouro pessoal. Já havia sido apresentada, no meu curso de doutoramento tardio (fiz o doutorado depois de décadas de exercício do jornalismo) a Maurice Halbwachs, o grande sociólogo pioneiro dos estudos de memória social, que foi executado no campo de concentração de Buchenwald em 1945. No Brasil, na década de 1990, ele ainda era uma novidade; hoje há até pós-graduação em Memória Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro e, acredito, em muitas outras.

Quando escrevi meu primeiro perfil, o de Maria José Barbosa Lima, tinha apenas como objetivo conhecer mais a história pessoal de outras mulheres, suas trajetórias, principalmente daquelas que eu achava muito diferentes de mim. Nisso estava me inspirando em ninguém menos que Jean-Paul Sartre, quando justificou a biografia que escreveu de Gustave Flaubert. É uma das mais alentadas biografias de que tenho notícia, - em quatro volumes em francês, em cinco, em inglês, só o quinto volume da edição da Universidade de Chicago ocupando 632 páginas. Além dessa incrível extensão, é extraordinário o título que Sartre lhe deu, L'idiot de la famille. Sua justificativa de ter consagrado um tempo enorme de vida - de 1960 a 1971 - a escrevê-la, deixando de lado estudos de filosofia e aulas, foi: "Flaubert me parecia a pessoa mais diferente de mim possível". Na verdade, essa biografia é mais uma ficção-crítica, com análises freudianas do comportamento de Flaubert ou de possíveis comportamentos de Flaubert. Possíveis, porque Sartre afirmou certa vez em entrevista: "O que podemos saber de uma pessoa? Parece-me que esta pergunta só pode ser respondida pelo estudo de um caso específico".

Na verdade, escrever uma biografia é tarefa impossível. Como descrever a vida de uma pessoa? Nenhum de nós seria capaz de descrever sequer sua própria vida, sem muitas lacunas e muitíssimas distorções. As auto-biografias são muitas vezes ficções ou versões melhoradas e idealizadas de alguns episódios escolhidos pelo biografado. Nem os diários, sendo escritos para alguém ler - ou é possível acreditar que são escritos só como desabafo? - guardam a verdade do que fazem ou pensam os que os escrevem. Imaginem a dificuldade que é descrever, historiar, a vida de outrem.

Mesmo assim, resolvi escrever biografias de mulheres, e só de mulheres. Queria descobrir como saber mais de algumas colegas de gênero. Como seriam essas mulheres que me pareciam tão diferentes de mim? (Olhar o diferente é também se olhar.) A primeira que despertou meu interesse de escritora - ou de repórter querendo escrever livros - foi, como disse acima, Maria José Barbosa Lima. Eu a via com frequência, sempre ao lado do marido, Barbosa Lima Sobrinho, discreta, amável, pequenina. A curiosidade foi aumentando a cada encontro. Perguntei então a seu filho Fernando, com quem eu já trabalhara, se ela me daria uma entrevista. Queria conhecê-la melhor, expliquei. Fernando me deu todo o incentivo: "Minha mãe vai adorar falar com você; ela tem histórias fantásticas e gosta de contá-las". E aconteceu que, depois de meses de entrevistas, com ela, familiares e amigos, descobri não só uma mulher ativíssima, ousada (nada daquela mulher pendurada no braço do marido importante, como vemos, infelizmente, até hoje), como também aprendi muita coisa sobre Doutor Barbosa e a vida em Pernambuco nos anos 40 e 50. (Doutor Barbosa - só sei chamá-lo assim - foi governador de Pernambuco, seu estado natal, de 1948 a 51 e Maria José, paulista, fez então, lá, um grande e inteligente trabalho social.)

Foi a partir do que aprendi com esse livro - escreve-se também para aprender - que acrescentei ao meu objetivo inicial de saber mais sobre algumas mulheres que me despertavam curiosidade, a vontade de saber mais sobre a história recente do meu País, do ponto de vista feminino. Jenny e sua revista Walkyrias vieram a calhar. Foi minha segunda biografia, ou perfil. (Prefiro perfil, ou esboço biográfico, porque sinto-me até hoje como jornalista e não como escritora. E os perfis são um dos mais interessantes gêneros do jornalismo. Além disso, já sabemos que biografias são impossíveis.)

Descobri Jenny, ou melhor, a revista Walkyrias, ao fazer uma pesquisa sobre imprensa feminina. A Biblioteca Nacional tinha quase toda a coleção de Walkyrias e, lendo muitos de seus exemplares, verifiquei que, apesar de ter como colaboradores as e os intelectuais mais importantes do Brasil à época, a revista era de fato de uma única pessoa, Jenny, que a dirigiu do começo ao fim, isto é, de 1934 a 1960. Durante o Estado Novo, foi a única voz das mulheres no Brasil, porque, depois de conseguirem o direito de votar e serem votadas, as feministas históricas caíram em silêncio. E a figura de Jenny, lutando desesperadamente para ser aceita, para ser famosa - hoje em dia ela estaria assediando os repórteres da Caras - , escrevendo romances à época considerados escandalosos, sendo amiga dos poderosos mas envergonhando a família paulista rural bem tradicional, me fascinou. Esta, sim, parecia não ter nada a ver comigo. Seu fim trágico - interna, sã, em um asilo, com o marido, que sempre fora uma sombra dela, doente - me emocionou. E pude, através do conteúdo da revista e dos seus livros - além de muita pesquisa mais - desenhar no livro um quadro mais ou menos amplo das mulheres jornalistas e escritoras da época, das vitórias-régias tão ridicularizadas por jornalistas como Joel Silveira às Lúcia Miguel Pereira e Adalgisa Nery, sempre citadas com elogios.

Daí para me dedicar especificamente a Adalgisa, foi um passo. Eu só a havia visto uma vez. Ela deputada estadual, eu jornalista. Conversava com um jovem deputado que era um bom informante de meu jornal, O Sol, quando entra no restaurante uma mulher de olhar duro, porte elegante, nariz adunco. Meu acompanhante pediu licença, dizendo sorridente "Cessa tudo quanto a antiga musa canta", e foi cumprimentar a senhora. Fiquei observando e descobri que conhecia aquele rosto. Quando ele voltou, com o olhar brilhante de emoção, comentei, provavelmente enciumada e certamente com a arrogância de quem era então jovem: "É Adalgisa Nery, não é? Mas ela é velha!" Ele não pestanejou: "É velha, mas é um tesão".

Não me lembrava conscientemente desse episódio quando apresentei à Prefeitura do Rio o projeto de uma biografia de Adalgisa Nery. Movia-me então a curiosidade de saber como uma mulher poderia ter tido dois maridos tão diferentes: o pintor surrealista Ismael Nery e o chefe da censura no Estado Novo, Lourival Fontes. E a poesia dela me interessou muito.Por coincidência (coincidência? o que há com mulheres talentosas, sedutoras e fortes?), descobri que o fim de Adalgisa tinha sido bem semelhante ao de Jenny, em um asilo, onde se internou sem avisar a filhos ou amigos, estando perfeitamente bem. Só que Jenny perseguia em vão a fama, o sucesso, e Adalgisa teve os dois de sobra, embora mesclados a muito sofrimento. "Muito amada e muito só", foi o subtítulo que usei no livro.

Um dos fãs mais entusiastas de Adalgisa, e que colaborou para o livro, o crítico Wilson Coutinho, ficou triste com o resultado final de meu trabalho: "Ana, você não gostou de Adalgisa. Se eu fosse escrever essa biografia, iria mostrar uma pessoa queridíssima". Respondi que havia ficado entusiasmada com a personagem, mas que a mulher me dera a impressão de extrema frieza e, é claro, havia passado isso aos leitores. No que, outra questão se colocou: é preciso gostar de uma pessoa para biografá-la? E permaneceu durante meus dois trabalhos posteriores: Maria Martins e Lygia Lessa Bastos. Maria, amiga de Getúlio; Lygia, sua pertinaz oponente, udenista integral.

A carreira política de Adalgisa, sua cassação, sua amizade com Getúlio Vargas - houve até o boato, quando o diário de Getúlio veio à luz, de que ela teria sido sua amante, o que tenho certeza ser inverdade, pois jamais apurei qualquer indício desse romance - me haviam apontado outro caminho de pesquisa. Dei-me conta de que estava, nas minhas histórias de mulheres, rodeando o Estado Novo, a era Getúlio. Vou agora chegar mais perto: já pedi à família autorização para biografar dona Darcy Vargas. Mas, voltemos às mulheres que já foram objeto de minhas especulações. Quando a editora Gryphus me encomendou uma biografia da escultora Maria Martins, fiquei bastante dividida. Uma grande alegria pela oportunidade, pois eu ainda estava sob o impacto das esculturas que vira na exposição dedicada ao Surrealismo, no CCBB, e com muita curiosidade a respeito de sua autora, se mesclou a um certo pânico. Como enfrentar uma personagem tão forte? É verdade que eu já tinha empreendido a tarefa de traçar o perfil de Adalgisa Nery, em muitos pontos semelhantes a Maria: a independência, o fascínio que exercia nos homens, o talento. As duas foram amigas de Frida Khalo; as duas tiveram dois casamentos com intelectuais bem diferentes um do outro. Maria, porém, era figura internacional e sua vida pessoal cercada de muitos segredos.

A insegurança com a tarefa foi sendo substituída por uma grande determinação, quando fui entrando no universo desta incrível artista que foi também embaixatriz, amante de Marcel Duchamp e de Mondrian, mística, fã de Mao Tsé-Tung, amiga de Getúlio, Picasso e Rockefeller, grã-fina e meio hippie. Mandona, antipática para muita gente, genial.

O primeiro marido de Maria, Otávio Tarquínio de Sousa, autor da monumental - e que me encantou tanto na adolescência - História dos fundadores do império, teve pouco influência na vida dela. Mas a trajetória do segundo e definitivo marido, o competente embaixador Carlos Martins, companheiro firme, do momento do início do romance até a morte, despertou em mim a tentação de uma biografia em separado. Mas resisti; ainda há mulheres a desvendar.

A idéia de escrever um livro sobre Lygia Maria Lessa Bastos jamais me ocorreria há 40, 30, 20 anos. Mas, quando, em 1998, estava preparando a biografia de Adalgisa Nery, meu amigo Reinaldo Barros, que havia sido assessor de Adalgisa e que me deu então excelentes dicas, sugeriu: “Ana, você deve entrevistar Lygia Lessa Bastos; ela foi amiga de Adalgisa”. Fiquei espantadíssima. “Aquela udenista, reacionária, com ar de general, amiga de Adalgisa, que foi do PTB e do PSB, poetisa?” (É verdade que também fora casada com Lourival Fontes, sabidamente fascista.) Reinaldo riu da minha reação e argumentou: “Acho agora mais importante ainda você falar com Lygia e conhecê-la. Vai ver que imagem equivocada tem dela, uma pessoa interessantíssima, adorável”.

Confiava nos julgamentos do amigo e decidi que era mesmo hora de rever mais alguns preconceitos. (Sim, porque a gente fica a vida inteira combatendo os preconceitos, muitos, aliás, que acredita não ter.) E liguei para “a fera”. Muito amável, ela concordou logo com a entrevista e, já no primeiro encontro, verifiquei o quanto Lygia era séria e valorizava a justiça. Lygia ajudou muito no desenho do retrato de Adalgisa e a cada encontro nosso eu ia descobrindo novas qualidades nela: a coerência, a fidelidade partidária, só rompida pela fidelidade aos princípios, a firmeza mas não teimosia, pois sabe voltar atrás quando convencida, a preocupação permanente com a educação e com a defesa das mulheres. Pronto o livro de Adalgisa, adotei-a como amiga.

A idéia de registrar sua trajetória política veio bem depois. Lygia me contava episódios de sua vida de vereadora, de constituinte, de deputada, me falava do pai, do avô. Mas foi quando a descobri, além de recordista em mandatos parlamentares, pioneira nos esportes e amiga das artes e de artistas, que me dei conta da história que tinha nas mãos.

Propus escrever esta história e ela aceitou, depois de confessar que há algum tempo começara a ditar suas memórias em gravador, mas que parara porque lhe veio a preocupação de não ferir ninguém e, por isso, preferia que outra pessoa escrevesse sobre ela, seus afetos e desafetos.
É outro problema de quem quer fazer perfis biográficos de pessoas vivas: desagradar o biografado e/ou seus familiares ou falsificar um tanto a história? Foi um equilíbrio difícil no caso de Lygia.

Aos 90 anos, completados dia 09 de setembro, Lygia Lessa Bastos não para: vai a bingos e shows beneficentes ou de artistas que estão menos valorizados pelo mercado, cultiva os amigos, ajuda os que estão em dificuldades, acompanha o teatro e a música que se produz no Rio de Janeiro. Parlamentar durante 36 anos, mora em pequeno apartamento no Catete, se veste com simplicidade, não impõe suas opiniões e está sempre de bom humor. De paz com sua consciência e com a vida. Valeu a pena vencer alguns preconceitos, desvendá-la e, espero, fazê-la mais conhecida das novas gerações.

Lygia, antigetulista, admirava a senhora Darcy Vargas. Ao ver a foto da vereadora entregando à primeira-dama o diploma de carioca honorária, decidi que tinha uma nova candidata a objeto de minhas indagações. Que são um tanto patrióticas, um tanto feministas, um tanto pessoais. Só não sei se o resultado é literatura.

Ana Arruda Callado é jornalista e escritora, presidiu o Conselho Administrativo da Associação Brasileira de Imprensa-ABI, e o Conselho Estadual de Cultura, do qual é membro efetivo. Foi professora da UFF, CUP, UFRJ e PUC.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Teatro: PATAGÔNIA

O SUTIL DUELO PSICOLÓGICO
DE PATAGÔNIA




Patagônia conta a história de duas prostitutas que se encontram no enterro de uma cafetina. Apesar de o relacionamento de Graziele e Kátia com a morta se esclarecer com o andamento da narrativa, fica sempre um enigma no ar. Afinal, o que aquela moreninha irônica está fazendo no velório? Se não trabalhou para a cafetina e não a conhecia direito, qual seu interesse de estar ali? Por que Kátia fica tripudiando de Graziele durante toda a trama?

Escrita pelo romancista & dramaturgo Furio Lonza, dirigida por Xando Graça (ator consagrado de Rasga Coração, O Mambembe e O Interrogatório) e interpretada pelas atrizes Diana Hime e Joana Lerner, Patagônia é um sutil duelo psicológico, uma espécie de quebra-cabeças, no qual as peças vão se encaixando pouco a pouco no tabuleiro da vida. As duas personalidades antagônicas (uma, ácida; a outra, solar) estimula o confronto, engrenando um brutal jogo de perguntas & respostas.

Patagônia tem a contundência verbal de Plínio Marcos e a retórica incestuosa de Nelson Rodrigues. É uma longa jornada em busca do entendimento. Procura misturar comédia e drama e valoriza os silêncios. A cada revelação, a história muda de rumo. A cada instante, uma nova surpresa.

Embora bem-humorados, os diálogos são duros, cínicos, por vezes, amargos. O espectador acompanha passo a passo a evolução do relacionamento das duas num suspense que cresce pouco a pouco, para compor (no final) um quadro de muita ternura e solidariedade, encontrando uma saída alegórica, onde os sonhos das duas prostitutas podem se realizar.

Patagônia não se limita a contar a história dessas duas prostitutas, ela vai além, questionando, criticando e convidando a uma reflexão maior sobre o atual estágio de glorificação da futilidade. Nesse contexto, a peça brinca com a concorrência desleal das celebridades. Em dado momento da peça, Kátia desabafa: A prostituição perdeu o glamour. Saiu do puteiro e está nas capas das revistas dos ricos e famosos. Todo mundo é puta, hoje: apresentadora de TV, cantora de axé, modelo. A concorrência é desleal: é um puteiro on line. Essas potrancas aparecem na telinha, no youtube, nos realities, fazem pontas em filmes. E os executivos – esses de gravata fininha – ficam babando. Saí com Fulana, saí com Beltrana. Eles nem comem. São todos broxas. Ou viados. Ou os dois.)

FICHA TÉCNICA


Texto: Furio Lonza.
Direção: Xando Graça.
Assistente de direção: Tiago D´Ávila.
Elenco: Joana Lerner e Diana Hime.
Cenário: Carlos Alcantarino.
Trilha sonora: Carlos Café.
Luz: Paulo César Medeiros.
Supervisão de figurino: Flávio Souza.
Visagismo: Rose Verçosa.
Programação Visual: Tita Bevilaqua.
Fotos: Cláudia Ferreira.
Direção de produção: Maria Alice Silvério Lima.

Teatro Maria Clara Machado, Planetário
Rua Padre Leonel França, 240
Gávea, Zona Sul – tel.: 2274-7722
Estreia dia 15 de março.
Até 27 de abril.
Terças e quartas-feiras, 21 horas
Ingressos a R$ 30,00
Não recomendado a menores de 16 anos

Contato de produção:
Maria Alice Silvério Lima
Tel. 2225-7148
balica@globo.com

domingo, 10 de abril de 2011

LIVROS: FUNDAÇÃO LANÇA COLEÇÃO SONHADA POR DARCY RIBEIRO


A Fundação Darcy Ribeiro (Fundar) realiza, 25 anos depois, um dos sonhos do antropólogo, educador, poeta, escritor, e político Darcy Ribeiro, de publicar a coleção Os Franceses no Brasil, com introduções de cunho histórico e antropológico, inédito no Brasil . O projeto contou com a colaboração de Carlos de Araujo Moreira Neto, antropólogo, etnohistoriador e participante do conselho curador da Fundação.

Durante todo esse tempo, a Fundação se responsabilizou por todos os arquivos deixados por ele, entre os quais estão as cópias e respectivas traduções dos originais das obras francesas de que trata este Programa de Edições. Esta documentação está organizada e traduzida para o português, incluindo os livros de Yves d’Evreux (1615), de Jean de Léry (1580), de André Thevet (1575) e as correspondências de Nicolas Durand de Villegagnon (1542-1569).


Na apresentação desta Coleção, Darcy Ribeiro destaca o esforço continuado dos franceses para estabelecer empreendimentos comerciais no Brasil, resistindo ao monopólio dos portugueses. O espírito e a tradição dos elementos aventureiros da França daqueles tempos, transplantados ao Novo Mundo, resultaram em tipos como os truchements (intérpretes ou “línguas”), que desenvolveram modos de vida muito semelhantes na América do Norte e entre os grupos indígenas no litoral brasileiro.


A Editora Batel publica esta coleção e oferece ao público as obras mais importantes sobre a participação dos franceses na conquista do Brasil. A coleção faz parte das iniciativas para a celebração do Ano da França no Brasil e reúne testemunhos da tentativa de colonização francesa no nosso país, entre o Século XVI e início do Século XVII, com relatos sobre os projetos da França Antártica, uma colônia calvinista no Rio de Janeiro, e da França Equinocial no Maranhão.

A descrição da terra e dos índios, seus costumes e vida nas aldeias, os conflitos entre os colonizadores e a aventura colonial são alguns dos eventos relatados, nos quatro livros, por Yves d’Evreux, André Thevet, Jean de Léry e nas correspondências de Villegagnon que formulou e liderou o projeto da colônia francesa no Rio de Janeiro entre 1555 e 1557.

A importância histórica dos relatos destes cronistas franceses e dos intentos de colonização francesa nos dois primeiros séculos de nossa história está sendo rememorada nesta publicação.

Formulado quando Darcy Ribeiro estava à frente da Secretaria de Ciência e Cultura do Estado do Rio de Janeiro, entre 1983 e 1986, o projeto foi patrocinado pela Eletrobrás e Ute Norte Fluminense e coordenado por Carlos de Araujo Moreira Neto e Ana Arruda Callado.

SERGIO SANTEIRO E CINEMA

Sergio Santeiro é cineasta e professor de cinema da Universidade Federal Fluminense.

O cinema é uma ilusão. Imagens, fotogramas, fotografias, projetadas 24 por segundo criam a impressão de movimento. Seja como a ficção criadas ou como o documentário colhidas: a Chegada do Trem na Estação por Lumiére que assustava os espectadores ou a Viagem a Lua por Méliès que os encantava, juntando multidões nas feiras no final dos oitocentos.

Corte no tempo. Um dia fui na Lapa ver os filmes no Beco do Rato. Exibição ao ar livre. Não é por me gambá. Como os pioneiros tambem já fiz isto, no terraço do Parque Lage nos anos setenta e por alhures nos cineclubes que plantei por aí.
Filmes estranhos como não se via nas salas comerciais de exibição, geralmente ocupadas na quase totalidade pelo cinema estrangeiro, americano: carros, aviões, navios, foguetes a explodir, chocando-se, mocinhos disparando trezentos tiros a destroçar exércitos inimigos, índios, sem incomodar os espectadores refestelados em poltronas cada vez mais majestosas e macias.

O cinema é um espetáculo para entreter desde as crianças com as animações cada vez mais geométricas e agressivas como os adultos, adolescentes, com musicais, romances e patifarias ou adultos, com sexo, drogas e repressão. Custos aumentam, o preço de ingressos tambem. Mas aí tem a televisão, anos cinquenta, e o digital, anos atuais, que ao contrário do que o nome diz, não se escreve com o dedo, não há impressão senão a de realidade capturada em imagens.

Vimos como era simples, no início quando se fêz a luz, eram poucas as imagens, hoje tudo é imagem, imagem pra todo o lado, em telas, telonas, telinhas, minhas, suas, deles, as multidões que antes apenas assistiam hoje dedam no botão do celular e criam imagens aos milhões, entopem as redes, pra lá e pra cá.

Mas apesar de tanta liberdade de criação escassa é a de expressão: conglomerados compram e ocupam o máximo que podem os espaços de circulação. É fácil fazer filmes, difícil é fazer cinema. Fazer com que tantas imagens ao invés de aprisionarem na ilusão do espetáculo, instruam usuários e criadores a melhor atravessar as ruas e a guardar para o amanhã dos outros o mundo que empilhamos em miríades de imagens, de todo o jeito, pra lá e cá, enchentes, explosões, conflitos, medos, paranóias: "anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar".

Nascido ilusão periga o cinema virar desilusão.

SALA CECÍLIA MEIRELES- MÚSICA ERUDITA, TAMBÉM, PERMEIA A LAPA!!!


A Sala Cecília Meireles é uma homenagem à poetisa e pianista Cecília Meireles.O edifício foi erguido em fins do século XIX, tendo funcionado originalmente como um hotel, com o nome de Grande Hotel da Lapa, tendo como hóspedes importantes fazendeiros e políticos da República Velha. Em 1948 foi reformado, transformando-se em um cinema, com o nome de Cine Colonial. Duas décadas mais tarde, visando criar um espaço para a música erudita, em particular a música de câmara, o antigo cinema deu lugar à Sala Cecília Meireles.Foi restaurado sob a gestão do Governador Marcello Alencar, quando recebeu tratamento acústico, um novo auditório, denominado Auditório Guiomar Novaes, para pequenos concertos, e o Espaço Ayres de Andrade, para a realização de coquetéis. A Sala Cecília Meireles, foi inaugurada em 1º de dezembro de 1965 apresentando no programa - “Poemas” de Cecília Meireles, interpretados por Maria Fernanda, Maria Riva-Mar, Mario Tavares e Paulo Padilha. A Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal executou as “Bachianas no. 5”, de Villa-Lobos, uma peça de Beethoven e o Concerto no. 2 para piano e orquestra de Brahms, com a participação do pianista Nelson Freire. A casa de concertos abriga alguns dos melhores espetáculos de música clássica desde 1965, quando a escritora Cecília Meireles foi agraciada com o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra, concedido pela Academia Brasileira de Letras.